Aviso: Este conto contém cenas explícitas entre homens. Para leitores maiores de 18 anos.
Conheci o Rafael em um aplicativo que prometia tudo menos o que realmente aconteceu. Seu perfil era discreto — uma foto do torso, músculos definidos pela luz de fim de tarde, a sombra do que seria um abdômen trincado. A descrição: “Paulista, 28, gosto de coisas simples”. Eu, com meus vinte e três anos recém-completados e uma solidão que doía fisicamente, dei like.
A conversa começou como todas as outras — cumprimentos formais, troca de fotos mais ousadas, a dança do “o que você procura”. Mas com ele foi diferente. Após quinze minutos de mensagens, ele escreveu:
“Para de enrolação. Você está em casa? Sozinho?”
“Sim,” respondi, minhas mãos tremendo sobre o teclado.
“Me passa o endereço. Chego em vinte minutos.”
Era um risco. Um risco enorme. Meu coração batia tão forte que achei que vizinhos ouviam. Mas algo na decisão dele, na ausência de joguinhos, me atraiu. Passei o endereço do meu apartamento no Bom Retiro.
“Vinte minutos. Deixa a porta do prédio destrancada. Ap 304, né?”
“Sim. Como você quer…”
“Não quero nada. Apenas esteja lá.”
Olhei para o relógio: 22h47. Uma quarta-feira qualquer. Dois andares abaixo, meus pais dormiam. Meu quarto, pequeno, com as paredes cobertas por pôsteres de bandas que eu fingia gostar, de repente pareceu uma arena.
Tomei um banho rápido — o terceiro daquele dia. Ensaboei-me inteiro, lavando cada dobra, cada fenda, como se preparando para uma cirurgia. Passei as mãos pelo meu corpo: magro, muito magro para meu gosto, com ombros estreitos e uma suavidade que eu detestava. Meus pelos pubianos, escuros e encaracolados, que eu aparava sem muita habilidade. Minhas nádegas, que meu ex disse uma vez serem “o único atributo decente”.
Sequei-me, olhando no espelho embaçado. Meu rosto: olhos castanhos muito grandes para o rosto, maçãs salientes, lábios que sempre pareciam um pouco inchados. “Você tem cara de quem dá,” meu primeiro — e único — namorado disse uma vez. Na época, ri. Agora, a frase ecoou diferente.
Vesti-me com cuidado: uma calça de moletom cinza, justa nos glúteos e afrouxada nas pernas. Uma camiseta branca simples. Chequei o apartamento — tudo limpo, a cama feita, o cheiro de incenso tentando disfarçar o cheiro de ansiedade.
Às 23h08, a campainha tocou.
Meu estômago virou. Caminhei até a porta, respirando fundo três vezes antes de abrir.
Ele era mais alto do que imaginava. Muito mais. Um metro e oitenta e cinco, talvez mais. Ombros largos que preenchiam o vão da porta. Vestia jeans preto e uma jaqueta de couro marrom que parecia velha de verdade, não comprada para parecer velha. Seu rosto — Deus, seu rosto — era angular, com mandíbula forte e uma barba por fazer de dois ou três dias que escurecia suas bochechas. Olhos castanho-escuros, quase pretos, que me escrutinaram da cabeça aos pés em meio segundo.
“Leo?” a voz era grave, mais grave do que no áudio que ele tinha enviado.
“Sim. Entre.”
Ele entrou, fechando a porta atrás de si sem fazer barulho. Tirou a jaqueta, revelando braços musculosos cobertos por tatuagens — mangas completas, pretas e cinzas, que subiam até os ombros. As veias saltadas nos antebraços.
“Seu quarto é onde?”
“À direita.”
Ele caminhou à frente, como se conhecesse o lugar. Eu o segui, observando suas costas largas, a maneira como o jeans se ajustava perfeitamente às suas nádegas — redondas, firmes, que se moviam com uma confiança animal.
No quarto, ele olhou em volta, depois para a cama, depois para mim.
“Fala pra mim o que você quer,” ele disse, sem preâmbulos.
“Eu…” minha voz falhou. Engoli. “Quero você.”
“Como?”
“Como você quiser.”
Ele sorriu — não um sorriso caloroso, mas uma curva lenta dos lábios que me fez sentir nu mesmo vestido. “Tira a roupa.”
Minhas mãos tremiam ao puxar a camiseta pela cabeça. Ela ficou presa por um segundo, e ele não ajudou, apenas observou. Quando finalmente a tirei, senti seu olhar na minha pele como um toque físico.
“O resto.”
Abri o botão da calça, puxei o zíper. A calça de moletom caiu aos meus pés. Fiquei de cueca boxer preta, meus nervos visíveis no tremor das minhas coxas.
“Essa também.”
Puxei a cueca para baixo. Meu pênis — médio, não circuncidado, já meio ereto — saltou para fora. Fiquei completamente nu diante dele, e pela primeira vez não senti vergonha. Sentia… exposição. Como um animal de estimação sendo examinado.
Ele caminhou até mim, seus passos lentos, deliberados. Quando estava a meio metro de distância, parou.
“Vira.”
Virei-me, apresentando minhas costas para ele.
“Mais.”
Ajoelhei-me no chão, minhas mãos apoiadas no tapete.
Ouvi o ruído do cinto sendo aberto. O zíper do jeans descendo. O som do tecido sendo empurrado para baixo.
Então senti — primeiramente suas mãos nas minhas nádegas, abertas, quentes, que as separaram. Seu hálito quente na entrada.
“Não está preparado,” ele observou, sua voz agora um rosnado suave.
“Não tive tempo…”
“Shhh.” Um dedo — seu dedo indicador, largo, áspero na ponta — pressionou contra o anel muscular. “Relaxa.”
Tentei. Fiz um esforço consciente para relaxar os músculos que estavam contraídos como aço.
Seu dedo penetrou. Devagar. Uma queimadura inicial, depois uma sensação de preenchimento. Ele moveu o dedo para dentro e para fora algumas vezes, depois adicionou um segundo.
“Respira,” ele ordenou, e eu respirei fundo.
Com dois dedos dentro de mim, ele abriu-me, alongou-me, preparou-me. A dor misturava-se com um prazer estranho, uma antecipação.
Ele retirou os dedos. Ouvi o rasgo de um pacote — camisinha, lubrificante. O cheiro do silicone encheu o ar.
Então senti ele — não seus dedos, não um brinquedo, mas ele. A cabeça do seu pênis, larga, quente mesmo através do látex, pressionando contra a entrada.
Era enorme. Muito maior do que qualquer coisa que já estivera dentro de mim. Tive um momento de pânico genuíno.
“Rafael, eu não sei se…”
“Shhh.” Suas mãos nas minhas ancas, firmes. “Vai caber. Relaxa.”
Ele empurrou.
A dor foi branca, aguda, cegante. Um rasgo que parecia dividir-me ao meio. Soltei um grito abafado contra meu próprio braço.
Ele parou, completamente dentro. Não se moveu. Apenas deixou-me me acostumar com o tamanho, com a invasão, com a violência bonita daquilo.
“Tudo bem?” sua voz suave, inesperadamente carinhosa.
Fiz que sim com a cabeça, incapaz de falar.
Ele começou a se mover. Devagar primeiro, cada movimento uma nova descoberta de dor e prazer misturados. Suas mãos nas minhas ancas me puxavam para trás a cada investida, me empurravam para frente a cada retirada.
O ritmo aumentou. O som do seu corpo batendo contra o meu, pele contra pele, encheu o quarto. Seus gemidos — roucos, guturais — atrás de mim.
“Você é apertado,” ele rosnou. “Tão apertado, Leo.”
Seu nome na minha boca me fez perder o pouco controle que tinha. Meu próprio pênis, que tinha amolecido com a dor, endureceu novamente, balançando com o ritmo da foda.
Uma de suas mãos deixou minha anca, envolveu meu pênis. Seus dedos largos me masturbaram no mesmo ritmo que ele me fodia — para fora, aperta; para dentro, solta.
O clímax chegou sem aviso. Um tremor começou na base da minha espinha, subiu pelas costas, explodiu na minha cabeça. Jorrei na sua mão, no tapete, contra minha própria barriga. Convulsionei, meus músculos se contraindo em volta dele, o que fez ele gemer mais alto.
“Merda,” ele rosnou. “Merda, você tá me apertando…”
Ele enfiou mais fundo, mais rápido, seus dedos cavando na minha carne. Então ele parou, seu corpo enrijecendo atrás de mim. Um gemido longo, profundo, e senti ele jorrar dentro da camisinha, suas contrações através do látex.
Desabamos juntos no chão, ele ainda dentro de mim, seu peso esmagador e quente sobre minhas costas.
Ficamos assim por minutos, apenas respirando. Seu suor pingando nas minhas costas, nossa respiração ofegante em uníssono.
Ele finalmente saiu, levantou-se. Ouvi-o ir ao banheiro, a descarga. Voltou com uma toalha úmida, limpou minhas costas, minhas nádegas, meu estômago coberto de sêmen.
Sem falar, deitou-se na minha cama, vestindo apenas o jeans ainda aberto. Estendeu um braço.
“Vem cá.”
Subi na cama, deitei-me ao seu lado, minha cabeça no seu peito. Seu coração batia rápido, forte contra meu ouvido.
“É sempre assim?” perguntei, minha voz pequena no quarto escuro.
“Não,” ele disse, sua mão acariciando meu cabelo. “Nunca é assim.”
Olhei para cima, para seu rosto iluminado pela luz da rua que entrava pela janela. “O que foi diferente?”
Ele olhou para mim, seus olhos escuros impossíveis de ler. “Você.”
“Eu o quê?”
“Você se entregou. Completamente. A maioria…” ele parou, escolhendo as palavras. “A maioria segura algo. Um pedaço de si. Você não.”
“Talvez eu não tenha nada para segurar.”
Ele sorriu — um verdadeiro sorriso desta vez, que transformou seu rosto severo em algo bonito. “Todo mundo tem.”
Ficamos em silêncio por um tempo. Minha dor começava a se transformar em uma sensação latejante, uma lembrança física.
“Você vai embora?” perguntei, tentando não parecer carente.
“Você quer que eu vá?”
“Não.”
“Então fico.”
Ele virou-se, puxando-me para que meu rosto ficasse contra suas costas. Seu cheiro — suor, sexo, o couro da jaqueta ainda impregnado na pele — encheu meus pulmões.
“Rafael?”
“Hmm?”
“O que você faz? Da vida, quero dizer.”
Ele riu, um som baixo e rouco. “Perguntas para o segundo encontro, Leo.”
“Vai haver um segundo encontro?”
Sua mão encontrou a minha na cintura dele, entrelaçando nossos dedos. “Vai.”
Fechar os olhos foi fácil. Adormecer, mais fácil ainda. Pela primeira vez em meses, não fui para a cama com a sensação de vazio, mas de plenitude — uma plenitude que doía, mas que era real.
Fique atento para a Parte 2: Leo descobre que Rafael guarda segredos perigosos, e o que começou como um encontro casual se transforma em algo que pode custar muito mais do que seu coração.
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