A Revolução Digital na Palma da Mão
Como você se informa sobre os avanços da ciência, as novas descobertas da medicina ou as últimas inovações tecnológicas? Se a sua resposta envolve um scroll nas redes sociais, uma busca no Google, um podcast ou um vídeo no YouTube, você faz parte da grande maioria dos brasileiros.
Uma pesquisa divulgada em setembro de 2025 pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) traz um retrato definitivo dessa transformação: mais de 70% da população brasileira utiliza plataformas digitais como sua principal fonte de informação sobre ciência e tecnologia (C&T). Este dado, amplamente divulgado pelo próprio ministério em seu portal oficial, não é apenas um número—é um marco que sinaliza uma profunda mudança na relação da sociedade com o conhecimento científico.
Entendendo os Números: Para Onde Olham os Brasileiros?
A pesquisa, que fundamenta a notícia do MCTI, detalha para onde os cidadãos estão se voltando. O panorama é diversificado e reflete a forma multifacetada como consumimos conteúdo hoje:
- Redes Sociais e Agregadores: Plataformas como Facebook, Instagram, X (antigo Twitter) e TikTok lideram como pontos de acesso inicial e discussão sobre temas científicos.
- Sites de Notícias e Blogs: Portais de jornalismo tradicional e especializado mantêm relevância, mas são frequentemente acessados através de links compartilhados nas redes.
- Vídeos e Podcasts: O formato em vídeo, principalmente no YouTube, e os podcasts ganham espaço acelerado pela capacidade de explicar conceitos complexos de forma mais acessível e envolvente.
- Buscadores: O Google segue como a ferramenta primordial para tirar dúvidas pontuais e buscar informações mais profundas sobre um tema recém-descoberto.
Este cenário desloca, de maneira irreversível, o eixo informacional dos meios tradicionais (como a TV aberta e os jornais impressos) para o ambiente digital, sob demanda e personalizado.
O Que Isso Significa? Oportunidades e Desafios
Esta migração em massa para o digital traz implicações poderosas para cientistas, instituições de pesquisa, comunicadores e para o próprio público.
As Grandes Oportunidades:
- Democratização do Acesso: A ciência sai dos laboratórios e das revistas especializadas e alcança qualquer pessoa com um celular e conexão à internet.
- Engajamento e Interatividade: As plataformas permitem comentários, compartilhamentos e perguntas, criando um diálogo direto entre pesquisadores e sociedade.
- Diversidade de Vozes: Cientistas e divulgadores podem construir seus próprios canais, apresentando a ciência com diferentes abordagens, linguagens e focos.
Os Desafios Inevitáveis:
- Desinformação e “Fake News”: O mesmo ambiente que divulga a ciência é fértil para a propagação de teorias sem fundamento. A luta pela atenção do público é desigual.
- Algoritmos e Bolhas: As plataformas podem criar “bolhas” informacionais, onde o usuário vê apenas conteúdo que reforça suas crenças prévias, dificultando o acesso a perspectivas científicas consolidadas que confrontem ideias equivocadas.
- Necessidade de Letramento Digital: A população precisa desenvolver habilidades críticas para navegar, checar fontes e discernir entre informação de qualidade e conteúdo enganoso.
O Papel das Instituições Científicas (Como o MCTI) nesta Nova Era
A divulgação da pesquisa pelo MCTI é, em si, um reconhecimento estratégico dessa nova realidade. Para as instituições públicas de fomento à ciência, o caminho é claro:
- Ocupar Ativamente os Espaços Digitais: Não basta produzir conhecimento; é preciso traduzi-lo e levá-lo para onde o público está. Isso significa investir em equipes de comunicação digital, produção de vídeos, podcasts e posts para redes sociais.
- Parcerias com Divulgadores Científicos: Colaborar com criadores de conteúdo (influencers, youtubers, podcasters) que já possuem audiência e credibilidade é uma forma eficaz de amplificar a mensagem.
- Educação para a Mídia: Promover campanhas e materiais que ensinem o público a identificar fontes confiáveis, a entender o método científico e a desconfiar de conteúdos sensacionalistas.
Conclusão: Um Novo Contrato Social com a Ciência
O fato de que mais de 70% dos brasileiros buscam ciência online, conforme atestado pela pesquisa do MCTI, representa um novo capítulo na relação entre ciência e sociedade. É um contrato que se renova em tempo real, a cada like, compartilhamento e comentário.
Cabe agora a todos os atores deste ecossistema—governo, instituições, cientistas, comunicadores e cidadãos—trabalhar para que essa poderosa ferramenta de acesso seja também um ambiente de confiança, aprendizado e progresso coletivo. A ciência saiu das páginas dos jornais e entrou no feed de notícias. O desafio é garantir que ela chegue com clareza, verdade e impacto.
Referência Oficial:
Este post foi baseado na notícia “Mais de 70% dos brasileiros se informam sobre ciência e tecnologia pelas plataformas digitais“, publicada em setembro de 2025 no portal oficial do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) do Governo Federal. A pesquisa citada é de responsabilidade do ministério.
Para ir além:
- Que tipo de conteúdo sobre ciência você mais consome online?
- Na sua experiência, quais são os maiores desafios para encontrar informação científica confiável na internet?
Conte nos comentários!
