À Sombra dos Arranha-Céus – Parte 2

Acordei às 5:23 da manhã com seu braço pesado sobre minha cintura, sua respiração quente na nuca do meu pescoço. A luz do amanhecer entrava pelas frestas da persiana, pintando listras cinzas sobre seu antebraço — o mesmo antebraço que me tinha segurado enquanto ele me fodia horas antes.

Meu corpo doía de uma maneira que eu nunca tinha experimentado. Uma dor profunda, latejante, no meu ânus, que ainda parecia aberto, diferente. Uma dor muscular nas coxas e na lombar, como se tivesse feito um treino intenso. Mas também uma satisfação física que ia além do prazer — uma sensação de uso, de ter sido verdadeiramente ocupado.

Ele dormia profundamente. Pude observá-lo sem ser observado. De perfil contra o travesseiro, sua mandíbula parecia ainda mais forte, a linha que ia da orelha até o queixo definida como se esculpida em granito. Seus lábios, que no escuro pareciam finos e severos, estavam ligeiramente entreabertos, cheios, com um corte quase imperceptível no lábio inferior — talvez de uma briga, talvez de outra coisa.

Sua barba por fazer tinha crescido durante a noite, escurecendo suas bochechas com uma sombra de 3mm que eu queria tocar. Segurei-me. Em vez disso, meus olhos viajaram para baixo, para seu peito.

Ele dormia sem camisa. Seu tórax era largo, coberto por uma leve camada de pelos castanho-escuros que formavam uma linha perfeita do peito até o umbigo — a famosa happy trail que eu sempre achei sexy. Seus mamilos eram pequenos, castanho-escuros, eretos mesmo no sono. Abdômen definido — não aqueles tanquinhos de academia exagerados, mas sim músculos reais, funcionais, que se moviam suavemente com sua respiração.

Abaixo, os pelos continuavam, mais densos agora, formando um triângulo invertido que desaparecia sob a cintura das suas calças jeans — que ele ainda vestia, abertas, baixas nos quadris. A fivela do cinto pendia, metálica e fria.

Meu olhar se fixou no volume entre suas pernas. Mesmo flácido, era impressionante. Uma saliência clara sob o tecido azul escuro do jeans. Lembrei-me da sensação — o peso, a largura, o calor — dentro de mim. Meu ânus contraiu-se involuntariamente, e uma pontada de dor-prazer me fez prender a respiração.

Ele se mexeu, um murmúrio ininteligível escapando de seus lábios. Seu braço se apertou em volta de minha cintura, puxando-me para trás contra ele. Senti-o — duro agora, completamente ereto, pressionando contra minhas nádegas através do jeans.

“Leo,” sua voz, rouca do sono, era ainda mais grave.

“Bom dia.”

Suas mãos abriram meu botão da calça — a mesma calça de moletom que eu tinha vestido novamente após o sexo. O zíper desceu.

“Não,” ele disse quando eu tentei virar-me para enfrentá-lo. “Fica assim.”

Ele puxou minha calça e minha cueca para baixo, apenas até o meio das coxas. O ar frio da manhã tocou minha pele exposta.

Ouvi o ruído do seu jeans sendo aberto completamente, o cinto batendo no chão de madeira. Então senti ele — nu agora, não mais através do tecido. Sua ereção, quente como um ferro, úmida na ponta, deslizando entre minhas nádegas.

Ele não usou lubrificante desta vez. Apenas cuspiu na própria mão — ouvi o som úmido — e então senti seus dedos ensopados me abrindo novamente, preparando o caminho.

“Ontem à noite foi rápido,” ele sussurrou, seus lábios contra meu ombro. “Agora vamos devagar.”

A cabeça do seu pênis pressionou contra minha entrada. Eu estava mais macio, mais aberto do que na noite anterior, mas ainda havia resistência. Ele empurrou, e a dor foi diferente — mais profunda, menos aguda, uma dor de músculo alongado além de seus limites.

Ele entrou centímetro por centímetro, parando a cada avanço para me deixar me acostumar. Quando finalmente estava completamente dentro, seus quadris colados às minhas nádegas, ele parou.

“Respira,” ele ordenou, e eu respirei fundo, sentindo como meu corpo se adaptava a ele.

Ele começou a se mover. Lentamente, quase meditativamente. Para dentro, uma pausa, para fora, uma pausa. Cada movimento trazia novas sensações — a textura de seu pênis dentro de mim (lisa, exceto por uma veia saliente que eu conseguia sentir batendo contra minhas paredes internas), o calor dele preenchendo-me, o peso de seu corpo sobre o meu.

Suas mãos encontraram meus seios — sim, homens têm seios, e os meus eram sensíveis. Seus dedos apertaram meus mamilos, torcendo-os suavemente, e um gemido escapou de meus lábios.

“Gosta disso?” ele perguntou, sua voz um rosnado em meu ouvido.

“Sim.”

“Bom.”

O ritmo aumentou gradualmente. Suas investidas ficaram mais profundas, mais assertivas. Eu podia sentir a cabeça do seu pênis batendo em algo profundo dentro de mim — meu próstata, eu presumi — e cada impacto enviava ondas de prazer pelo meu corpo.

Uma de suas mãos desceu para meu pênis, que estava duro e pingando pré-sêmen. Ele me masturbou no mesmo ritmo lento e deliberado com que me fodia, seu punho quente e firme subindo e descendo.

“Agora vira,” ele ordenou.

Ele saiu de mim — uma sensação de vazio instantâneo — e me virou para que eu ficasse de costas. Agora eu podia vê-lo completamente.

Sua ereção era impressionante. Devia ter uns 20cm, grossa, com a cabeça arroxeada e larga, o freio visível, as veias salientes que formavam um mapa de excitação. O tronco era ligeiramente curvado para cima, e ele segurava-a com uma mão enquanto se posicionava entre minhas pernas.

“Levanta as pernas,” ele disse.

Eu obedeci, dobrando os joelhos, abrindo-me completamente para ele. Era uma posição vulnerável, exposta, mas eu não me importava.

Ele entrou novamente, desta vez de frente, e a diferença foi imediata. Agora cada investida atingia minha próstata diretamente, e eu soltei um grito.

“Sim,” ele rosnou. “Grita. Eu quero ouvir.”

Ele aumentou o ritmo, sua cintura batendo contra minhas coxas com um som úmido e repetitivo. Seu rosto estava contraído em concentração, seus músculos abdominais se contraindo com cada movimento.

“Toque-se,” ele ordenou. “Quero ver você gozar.”

Minha mão encontrou meu próprio pênis, e comecei a me masturbar freneticamente, em contraponto ao ritmo poderoso de suas estocadas.

“Estou perto,” ele avisou, seus movimentos ficando irregulares, mais profundos.

“Eu também,” eu gemi.

“Vamos juntos.”

Ele dobrou-se sobre mim, seus lábios encontrando os meus em um beijo brutal, voraz. Sua língua invadiu minha boca no mesmo ritmo que seu pênis invadia meu corpo.

Foi isso que me fez perder o controle. Meu corpo arqueou, meu ânus se contraiu violentamente em volta dele, e eu jorrei entre nossos estômagos, listras quentes de sêmen que pingaram sobre seu abdômen trincado.

“Merda!” ele rosnou, e então senti-o explodir dentro de mim, suas próprias contrações pulsando através do látex, seu corpo tremendo sobre o meu.

Ele desabou sobre mim, seu suor misturando-se ao meu, nossas respirações ofegantes em uníssono.

Após longos minutos, ele levantou-se, saiu de mim. Foi ao banheiro, voltou com uma toalha úmida. Limpou-me com uma gentileza que contrastava com a violência do sexo.

“Toma banho comigo,” ele disse, estendendo a mão.


No banheiro, sob a água quente do chuveiro, ele me examinou como se eu fosse uma obra de arte.

“Você tem um corpo bonito,” ele disse, suas mãos ensaboadas deslizando por minhas costas. “Magro, mas não frágil.”

“Você é… impressionante,” eu respondi, minhas próprias mãos ousando tocar seu peito, seus ombros, os músculos das costas que se moviam sob a pele.

Ele virou-me, ensaboando minhas nádegas, seus dedos encontrando novamente minha entrada.

“Dói?” ele perguntou.

“Um pouco. Mas é uma dor boa.”

Ele sorriu — um sorriso verdadeiro, que chegou aos olhos. “Você é diferente.”

“Você disse isso ontem à noite.”

“E digo novamente.”

Ele lavou meu cabelo, seus dedos fortes massageando meu couro cabeludo de uma maneira que me fez quase desmaiar de prazer. Eu lavei o dele — cabelos castanho-escuros, curtos, que cheiravam a shampoo barato mas que, nas minhas mãos, pareciam seda.

Quando saímos do chuveiro, ele me secou com a mesma atenção com que me lavara. Parou em frente ao espelho embaçado, me virando para que eu visse nossas imagens refletidas.

Ele atrás de mim, um cabeça mais alto, seus braços musculosos envolvendo meu torso mais magro. A diferença entre nossos corpos era gritante — ele, esculpido em mármore; eu, desenhado em aquarela.

“Bonito,” ele murmurou, seus olhos encontrando os meus no reflexo.


No quarto, enquanto nos vestíamos, ele falou pela primeira vez sobre algo que não fosse sexo.

“Trabalho com segurança,” ele disse, vestindo a jaqueta de couro. “Segurança privada.”

“Isso explica…” minha mão indicou seu corpo.

“Explica algumas coisas,” ele concordou. “Mas não todas.”

“O que não explica?”

Por um momento, pensei que ele não responderia. Então: “Não explica por que estou aqui. Não explica por que não consigo parar de pensar em você desde ontem.”

Meu coração deu um salto. “Você pensou em mim?”

“O dia inteiro.” Ele aproximou-se, suas mãos em meu rosto. “Tenho que viajar hoje. Trabalho em Santos. Volto sexta.”

“Ah.”

“Quero te ver sexta à noite.”

“Sim.”

Ele beijou-me — um beijo doce, suave, que prometia mais do que sexo. “Até sexta, Leo.”

E então ele se foi, deixando para trás o cheiro de couro, sexo e o shampoo barato do meu chuveiro.


A sexta-feira chegou após dois dias de agonia. Eu mal conseguia me concentrar no trabalho — estágio em um escritório de arquitetura, onde passava o dia desenhando linhas retas em uma tela de computador enquanto meu corpo lembrava-se de ser preenchido por linhas curvas e quentes.

Ele mandou mensagem às 18h: “Chego às 21. Mesmo lugar.”

Às 20h55, estava pronto. Desta vez, vestira-me com cuidado — jeans preto justo, camiseta cinza que sabia realçar meus olhos, um pouco de perfume no pescoço.

Ele chegou às 21h07. Parecia cansado. Havia uma nova contusão sob seu olho direito — roxa, amarelada nas bordas.

“O que aconteceu?” perguntei, tocando-a com a ponta dos dedos.

“Trabalho.” Ele capturou minha mão, beijou a palma. “Não importa.”

Ele tirou a jaqueta, e vi que vestia um colete à prova de balas sobre a camisa. Isso deveria me assustar. Em vez disso, me excitou.

“Dessa vez,” ele disse, seus olhos escuros fixos nos meus, “quero fazer coisas diferentes com você.”

“Como o quê?”

“Senta na cadeira.” Ele apontou para a cadeira da minha escrivaninha — uma cadeira de escritório comum, com braços.

Sentei. Ele ajoelhou-se diante de mim, abrindo meu jeans, puxando meu pênis para fora. Já estava semi-ereto apenas com sua proximidade.

“Eu quero provar você,” ele disse, e então sua boca estava em mim.

Nunca ninguém me fizera sexo oral assim. Não foi suave, não foi hesitante. Foi voraz, como se ele estivesse com fome e eu fosse uma refeição. Sua boca quente envolveu-me completamente, sua língua pressionando a parte inferior, seus lábios criando uma vedação perfeita.

Seus olhos permaneceram abertos, fixos nos meus, enquanto ele me chupava. Eu podia ver meu próprio reflexo em suas pupilas dilatadas — um homem perdido no prazer.

Ele usou as mãos também — uma na base do meu pênis, torcendo suavemente; a outra massageando meu escroto, seus dedos explorando a textura dos meus testículos.

Quando senti que estava perto, puxei seu cabelo. “Vou gozar.”

Ele não parou. Apenas aprofundou, engolindo-me completamente, e eu explodi em sua garganta. Ele engoliu, cada contração minha acompanhada por um movimento de sua garganta.

Quando terminou, ele limpou os cantos da boca com o dorso da mão, um gesto absurdamente sexy.

“Agora minha vez,” ele disse, levantando-se.

Ele sentou-se na cadeira, puxando-me para que eu ficasse de joelhos diante dele. Seu jeans foi aberto, seu pênis saltou para fora — já duro, a cabeça escura e úmida.

“Mostra o que aprendeu,” ele disse.

Inclinei-me, cheirando-o primeiro — o cheiro masculino, salgado, único dele. Então lambi a cabeça, provando o pré-sêmen salgado. Ele gemeu, suas mãos no meu cabelo.

Tentei imitar o que ele tinha feito comigo — boca quente, vedação com os lábios, língua ativa. Mas ele era grande demais. Eu engasgava, babava, tentava me ajustar.

“Devagar,” ele sussurrou. “Use as mãos também.”

Fiz como disse, uma mão na base, minha boca na cabeça, criando um ritmo. Seus gemens me guiavam — mais rápido quando ele gemia mais alto, mais devagar quando sua respiração se aprofundava.

“Estou perto,” ele avisou. “Tira se quiser.”

Eu não tirei. Apertei os lábios em volta dele, e senti-o explodir, jato após jato quente enchendo minha boca. Engoli, o gosto salgado e amargo me enchendo de uma estranha satisfação.

Quando terminei, ele puxou-me para cima, beijando-me profundamente, provando a si mesmo em minha boca.

“Você é incrível,” ele respirou contra meus lábios.

E então, pela primeira vez, ele me levou para a cama não para foder, mas para dormir. Enrolou-se atrás de mim, seu braço em volta de minha cintura, seu rosto enterrado no meu pescoço.

“Rafael?” eu sussurrei no escuro.

“Hmm?”

“O que está acontecendo entre a gente?”

Ele ficou em silêncio por tanto tempo que pensei que tinha adormecido. Então: “Algo que não deveria estar acontecendo. Algo perigoso.”

“Perigoso como?”

Sua respiração mudou. “Eu não sou apenas um segurança, Leo. E o homem que estou… protegendo… é alguém que você não quer conhecer.”

Meu sangue esfriou. “O que você quer dizer?”

“Quero dizer que sexta que vem, talvez eu não possa voltar. Quero dizer que se você for esperto, vai me bloquear agora e nunca mais pensar em mim.”

Virei-me para enfrentá-lo. No escuro, seus olhos eram dois pontos pretos, impossíveis de ler. “E se eu não quiser ser esperto?”

Ele tocou meu rosto, seus dedos ásperos surpreendentemente suaves. “Então você é tão louco quanto eu.”

“Talvez seja.”

Ele beijou-me — um beijo doce, triste, que tinha gosto de despedida.

“Durma,” ele disse. “Amanhã… amanhã conversamos.”

Mas eu não dormi. Fiquei acordado, sentindo a respiração dele, o peso de seu braço, o calor de seu corpo. E soube, com uma certeza que doía, que ele já estava me deixando, mesmo antes de se levantar.


Parte 3 (Final): Leo descobre a verdade sobre o trabalho de Rafael, e uma noite de paixão se transforma em uma luta por sobrevivência. Às vezes, o perigo mais mortal não vem de estranhos, mas daqueles em cujos braços nos entregamos.

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  1. O que você acha que Rafael realmente faz?
  2. Até que ponto você iria por alguém que conheceu de maneira tão intensa?
  3. Deveria haver uma Parte 3 ou o mistério é melhor?

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