Nunca esperei tanto por um simples “amanhã”.
Passei o dia inteiro sentindo a ausência dela como uma presença constante. Cada pensamento terminava no mesmo lugar: o modo como ela tocava sem tocar, como conduzia sem impor.
Naquela noite, ela me chamou para a cerimônia do chá. Tudo era lento. Intencional. Cada gesto tinha significado.
Sentei à frente dela. Nossos olhares se encontravam com mais frequência do que o protocolo permitiria.
Quando entregou a xícara, seus dedos envolveram os meus por tempo demais. O calor da porcelana se misturou ao da pele. Minha respiração traiu minha tentativa de controle.
Ela percebeu.
Inclinou-se levemente à frente.
— Desejo também é disciplina — murmurou. — Saber quando segurar… e quando soltar.
Seu joelho tocou o meu por baixo da mesa. Firme. Seguro. Nenhum recuo.
Naquele instante, percebi: ela estava me ensinando algo que não se aprende com palavras.